sábado, 24 de novembro de 2012

Eu não lhe quero versos,
Nem palavras de amor eterno.
Quero teus puxões em meu cabelo;
Teu amargor em minha boca;
Teu fluído instigando o meu...

(...)

Eu não lhe quero versos,
Nem promessas dissimuladas.
Quero tua carne me rompendo –
Corrompendo-me;
Teu pudor se dissipando ao meu.


domingo, 18 de novembro de 2012

Ana e o Mar, porque a gente nunca sabe de quem vai gostar.



Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar
(...)
Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar
Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar
(...)
Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


“Nossos relacionamentos andam modernos demais, revolucionários demais, experimentais demais, como um filme francês meio nonsense, executado do fim ao início, cuja grande inovação é não ter roteiro nenhum por trás de uma profunda tristeza de seus personagens perdidos, sem saber exatamente qual lente mirar, em que momento, qual o plano, qual o foco. A fotografia denota nosso daltonismo afetivo: enxergamos o amor cor-de-rosa através da câmera, quando na realidade ele é roxo-escuro. Como um hematoma.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Gostava quando ela dizia: “sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você”. Ela gostava quando ele dizia: “gozado, você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo”. E de quando ele falava calmo: “você tá tensa, vem cá”. E a abraçava e a fazia deitar a cabeça, no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito.

terça-feira, 6 de novembro de 2012


E por mais forte que você seja, por mais determinação que você tenha pra esquecer aquilo, chega uma hora que você sente falta, sente vontade de botar o orgulho de lado e dizer a ele que apesar da distância o amor continua igual.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


Fiquei sozinha um domingo inteiro. Não telefonei para ninguém e ninguém me telefonou. Estava totalmente só. Fiquei sentada num sofá com o pensamento livre. Mas no decorrer desse dia até a hora de dormir tive umas três vezes um súbito reconhecimento de mim mesma e do mundo que me assombrou e me fez mergulhar em profundezas obscuras de onde saí para uma luz de ouro. Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo.

sábado, 3 de novembro de 2012

Fui ali ser feliz, e eu tô com pressa.



Veja bem. Não tô dizendo que superei, as feridas estão comigo, servindo de baliza pra reconhecer esse lado quente e fresco das coisas. Mas eu preciso ir, não posso falar contigo agora. Tenho pressa de apertar o play. Dá licença? Então sai debaixo da minha sacada. E da próxima vez que sair na chuva, vê se antes aprende a se molhar.

domingo, 7 de outubro de 2012

Uma dose de vicodin.

"Não sabia se deveria ser grata por tudo ter acabado antes mesmo de haver um começo, tampouco tinha plena noção do que estava acontecendo. A sensação era horrível, as borboletas que antes batiam felizes em seu estômago, agora batem insanas e aflitas. Aquilo lhe causava uma dor terrível. As palavras foram postas à mesa sem cuidado algum, elas queimavam como chamas infernais. Houve um momento em que pensou em como era insano e doentio sentir aquilo, mas simplesmente era inevitável. O amor mata.
Jurou não se importar e eu mesma sou testemunha dessa vez, e de tantas outras. Os juramentos eram quebrados todas as vezes que as borboletas se sentiam infelizes. Malditas borboletas. Pobres borboletas, com tantas cores, não lhe trazia sorriso algum.
Toda graça e beleza dos pequenos insetos coloridos eram ofuscados pela bagagem que traziam consigo. Chamo de bagagem o que lhe fez chorar; sentimentos não seriam tão cruéis. Ou seriam? Sair sem destino não lhe faria mais feliz, mas por que andava tanto? Talvez tenha decidido cuidar de suas próprias marcas, ser sua própria hidrocodona." 


- Luzes, por favor voltem.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012


"O homem com medo torna-se ridiculo. Da forma mais triste, descobri que o medo do perigo é dez vezes mais aterrorizador do que o proprio perigo e que a ansiedade corrói a alma, destroindo-a completamente, sem a menor oportunidade de esboçar qualquer reação."

domingo, 2 de setembro de 2012

Falta calor.



Você apareceu nos meus sonhos a noite passada e acordei tateando a cama tentando te encontrar. Fiquei frustrada ao lembrar que é domingo e, aos domingos você não está em casa. Acordei devagarinho só pra te sentir por mais tempo, mas não teve jeito. Uma hora meu corpo despertou e eu acordei por completo. Passei o dia te sentindo, mas era como "sentir falta" e não "sentir perto".
Parece que não te vejo há anos, e acho mesmo que não te vejo há um bom tempo...Ah, a nossa música tocou hoje bem cedinho no rádio, quando eu estava tomando um café. Ele estava um pouco amargo, acho que coloquei pouco açúcar.
Depois eu fui até a padaria, e o Sr. João me perguntou se eu queria dois sonhos de creme e pareceu ficar triste quando eu disse que só levaria um. As pessoas me olharam procurando algo que me faltava. Acho que era sua mão segurando a minha ou o seu sorriso encontrando o meu. Faltava mesmo.
Os cachorros da rua estavam te esperando com o pedacinho de pão que você sempre dá a eles, talvez tenham ficado desapontados também. Acho que não sou uma pessoa completa agora. Até os gatos repararam que eu estava um tanto sozinha. As pessoas da rua me olhavam e eu tive a necessidade de checar se não tinha esquecido as calças ou se estava de pantufa. Estava faltando outra coisa.