quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta meu desejo. Tente me obrigar a fazer o que não quero e cê vai logo ver o que acontece. Acho que entendo o que você quis me dizer mas existem outras coisas. Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade, tudo está perdido mas existem possibilidades. Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos. Tínhamos um plano, você mudou de idéia. Já passou, já passou - quem sabe outro dia… Antes eu sonhava, agora já não durmo. Quando foi que competimos pela primeira vez? O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe. Não entendo terrorismo, falávamos de amizade não estou mais interessado no que sinto, não acredito em nada além do que duvido. Você espera respostas que eu não tenho, mas não vou brigar por causa disso. Até penso duas vezes se você quiser ficar minha laranjeira verde, por que está tão prateada? Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada? Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço, enquanto o caos segue em frente com toda calma do mundo.

O tempo - Móveis Coloniais de Acaju.




A gente se deu tão bem
Que o tempo sentiu inveja
Ele ficou zangado e decidiu
Que era melhor ser mais veloz e passar rápido pra mim
Parece que até jantei
Com toda a família e sei
Que seu avô gosta de discutir
Que sua avó gosta de ouvir você dizer que vai fazer
O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Se não for devagar
Que ao menos seja eterno assim
Espero o dia que vem
Pra ver se te vejo
E faço o tempo esperar como esperei
A eternidade se passar nos dois segundos sem você
Agora eu já nem sei
Se hoje foi anteontem
Me perdi lembrando o teu olhar
O meu futuro é esperar pelo presente de fazer
(...)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Escrever é falar sem nada dizer.


Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio extremamente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras - quais? Talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no fundo do poço.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Olhe.




(...) Ela tem andado pelos quatro cantos da cidade procurando as luzes, os sons ou qualquer outra coisa que lhe traga inspiração para retornar ao quarto quente de sua casa. Sem se preocupar muito para onde estava sendo levada, olhava as pessoas em seu redor fascinada com o brilho que elas tinham, reconhecendo algumas de um sonho ou outro que tivera desde que se permitia sonhar.
Estava quase feliz por estar ali. Quase. Enquanto via aquele mundo intenso e deslumbrava-se com toda aquela movimentação, sentia-se completamente sozinha diante de tudo. 

"Ele não está aqui, não é?" perguntou uma voz que reconheceu de um de seus sonhos. Ela não sabia o que dizer, ele simplesmente nunca esteve e é surpreendente que ela ainda sentisse sua ausência. Sem virar para a voz fez que sim com a cabeça e escondeu-se em seus cabelos com os olhos fechados como se sentisse vergonha. O dono da voz levantou seu rosto, tirou seu cabelo revelando o rosto da mulher que estava diante dele. "Abra os olhos, eu estou aqui agora." ele disse sorrindo.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



Portanto, agora, ali estava eu. Sentado ouvindo a chuva. Se eu morresse agora, ninguém verteria uma lágrima em todo o mundo. Não que precisasse disso. Mas era estranho. Até onde um trouxa pode ficar solitário? Mas o mundo estava cheio de velhos rabugentos como eu. Sentados ouvindo a chuva e pensando para onde foi todo mundo. Aí é que a gente sabe que está velho, quando fica pensando para onde foi todo mundo. Bem, não foram para lugar nenhum, não precisavam ir. Três quartos estavam mortos.

Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia. É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão. Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido […] É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rotina desarrumada.


Você não ligaria no dia seguinte, era domingo, fui até a cozinha lavar a louça, mas não havia louça para lavar, o combinado era jantarmos fora na noite anterior, não jantamos, ninguém se alimentou, quanto tempo desde aquela noite, parece um século, foi ontem. (...)Telefono pra minha mãe, não telefono pra você. Conto pra ela que acabamos, meu relato é muito coerente, ela lamenta mais ou menos, já ouviu eu contar essa história antes. Somos reincidentes em finais, mas agora é pra valer, quem me acredita?
Eu não me acredito, mas agora não te quero mesmo, e eu já ouvi isso antes, de você, de mim. Agora não tem mais volta — dei tantas voltas no parque, é tão ridículo caminhar pra lugar nenhum, para quem vou ficar magra e saudável? E voltei a dizer: não, mãe, acabou de verdade. E pela primeira vez naquele domingo eu fraquejei, as palavras saíram entrecortadas, eu catava as sílabas que me fugiam, e ela do outro lado da linha fingia que não doía nela também.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Fragmentos de um mar de pensamentos nublados.


É como se ela lhe implorasse pra ficar sem dizer nada, só com o olhar, mas ele não foi capaz de perceber o quanto ela o queria por perto, o quanto ela precisava dele ali.
E então ele partiu sem olhar pra tras, confiante nos seus passos largos que a afastavam dela. Deixou-a desapontada por um segundo, mas ela sabia que não deveria esperar que ele ficasse, afinal sabia o final da história que lhe foi contada como uma lenda amaldiçoada.
Ao perdê-lo de vista, restou-lhe as lembranças irreais que estavam guardadas em algum lugar do seu cérebro complexamente desorganizado. Lembranças de um gosto, um cheiro, um toque. Lembranças do que nem aconteceu, mas que em uma noite chuvosa ela desejou com todas as suas forças que acontecessem um dia.